terça-feira, 19 de outubro de 2010


07 out (qui)

Merda, deixei para escrever o que aconteceu nesse dia só hoje, dia 8, então já esqueci tudo de interessante que eu tinha para falar...
Bem, assisti aula só até meio-dia, depois saí para comprar a passagem do trem-bala que eu tenoh que tomar amanhã para ir para Tóquio visitar a fundação que me dá a minha bolsa. Caso eu não tenho dito antes, o transporte no Japão é muito eficiente, mas insanamente caro. Tudo bem que Osaka-Tóquio dá quase a distância São Paulo-Rio de Janeiro, mas essa minha passagem de ida e volta custou pouco mais de 500 reais. Sorte que eles me devolvem à parte os custos do transporte até Tóquio, haha.
Descobri que o lugar onde eu comprei a passagem é a um tropeço da loja onde eu comprei o computador, e nela tb tinha câmeras aos montes. Passei lá para dar uma olhada e achei uma câmera de, tipo, 10000000000 Mega Pixels por, tipo, 50 centavos, hahaha. Brincadeira, mas as câmeras por aqui são razoavelmente baratas. Peguei a minha de 14 Megapixels e zoom óptico de 5x por 11000 ienes, que dá uns 220 reais. Acho que no Brasil essa mesma câmero estaria pelo menos uns 600 reais, não? Aliás, uma coisa legal no Japão é que os vendedores estão lá para te ajudar nas suas dúvidas, e nada além disso. Eles não vão ficar perguntando se você quer, além da câmera, o tripé, a bolsinha, uma bateria extra, um cartão de memória dos mais caros, nem te levam à força para a parte onde vende impressoras para vc comprar uma que imprima as suas fotos nem nada. Você fala “quero isso”, eles falam “Está bem”, e pronto. A parte ruim é que esse tipo de comportamento dos vendedores típico no Brasil de vez em quando é útil. Eu andei 5 minutos e lembrei que não tinha comprado um case para a câmera, então tive que voltar para comprar... mas td bem.
Bem, arrumei tudo que eu precisava para o dia seguinte e fui dormir.

08 out (sex)

Ah, comprei minha passagem para o trem bala, que partia da estação de Shin-Osaka às 8h. Tive que acordar às 5:30 para conseguir chegar lá a tempo, ou seja, revivi meus dias de faculdade no Brasil, hahaha. Chegar até Shin-Osaka não era tão fácil assim, pq eu ia ter que fazer baldeação no meio do caminho. Saindo às 7h seria o suficiente, considerando atrasos inesperdos. Eu só esqueci de também considerar os atrasos esperados, hahaha, porque eu não sabia mexer na máquina de tickets e tive que aprender na marra e na pressa. Eu já falei que o transporte no Japão é caro?? Para chegar até Shin-Osaka eu gastei uns 12 reais, isso porque a distância da estação inicial até lá era tipo o trem Grajaú-Vila Olímpia. É bom ter cara de estrangeiro, porque é só vc fazer uma cara de perdido e chegar para qualquer um falando “Sumimasen” que te ajudam na hora, hahaha! Cheguei em cima da hora na estação do trem-bala (vou começar a chamar de Shinkansen, pq é assim em japonês). Ele é até parecido com um avião por dentro! Tenho fotos comigo, confiram depois. A viagem de Osaka até Tóquio demorou mais ou menos 2:30h, o que é mais ou menos o que eu levava para voltar da faculdade para casa quando passava das 3 da tarde, só que aqui são 450km e lá não era mais que 50km... Ah.... estou morrendo de sono, continuo esse texto amanhã...
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Pronto, então além do trem ser parecido com um avião por dentro, de vez em quando passava uma mocinha com um carrinho de comidas, que nem no avião tb. Eu não sabia se era de graça ou se tinha que pagar, então fiquei na minha, mas eu até queria comer uma coisa ou outra daquele carrinho... depois descobri que tinha que pagar, então foi bom eu não ter pedido nada, hahaha.
Chegando em Tóquio eu saí da estação de trem e fui procurar o prédio onde fica a fundação. Esqueci de falar antes, mas eu fui todo vestido de social, incluive com terno, o tempo todo. Meu calcanhar estava em carne viva por causa daquele sapato, ahhhh.... sentei num banco e nada discretamente coloquei um pedaço de lenço de papel dentro da meia para não raspar tanto o calcanhar com o couro do sapato. Daí para frente passei o dia inteiro andando esquisito para não machucar o meu pé, nem sei o que as pessoas que me viam pensavam de mim, e tb nem ligava, hahahaha. O lugar em específico onde eu estava em Tóquio não era tão cheio de gente. Era bem fechado, com prédios altos fazendo sombra em tudo e com vários andares de pontes para os veículos. Só dei uma caminhada rápida para tirar algumas fotos e depois fui para o prédio lá. Mais duas meninas aqui da mesma faculdade que eu tb estão recebendo a bolsa, então estavam lá tb. Uma moça muito simpática recebeu a gente e deu uma pasta com uma revistinha sobre a fundação é várias páginas de documentos e relatoriozinhos que a gente vai ter que ir entregando ao longo do ano. Depois veio um vovô falar umas coisas que eu não estava entendendo quase nada. Se mesmo em português eu já acho difícil entender as pessoas de idade falando, imagine em japonês! O pior é que eu acho que ele é meio que o chefão da fundação, então fingi que estava entendendo tudo que ele falava, hahahaha. Aí chamaram a gente para almoçar, finalmente, porque nem café da manhã eu tomei direito na pressa de chegar na hora lá. Gostosinho, com variedades de sushi e tal, só não deu para encher a barriga, hehehe. Conversamos um pouquinho, tirei algumas fotos pela janela do prédio, que tinha uma vista bonita da cidade e da torre de Tóquio e daí já chegou a hora de ir. Foi nessa hora que eu fui no banheiro e tirei uma foto da privada hi-tech japonesa, hahaha. Não deu para passear muito por Tóquio, e também eu estava sozinho, pq as meninas tinham seus próprios compromissos, então quando eu for junto com um pessoal daqui eu aproveito melhor o passeio.
Na volta eu tirei algumas fotos do trem do shinkansen e tb filmei. Quando eu tiver um programa bom para diminuir o tamanho das imagens eu coloco as fotos e os vídeos on-line! Bem, peguei o trem, cheguei em Osaka de volta, peguei o metrô, fui comprar algumas coisas (leia-se videogames, haha) na loja de eletrônicos daqui e peguei o ônibus. Queria chegar no dormitório logo pq estava chovendo e eu estava meio cansado. Bem, eu já peguei ônibus sozinho uma ou duas vezes sem ter problemas, mas tem que ter uma primeira vez para tudo: peguei o ônibus errado. Meio-errado, na verdade, pq ele me deixava relativamente perto da faculdade, mas eu teria que andar uns 20 minutos para chegar, só que estava chovendo... já que eu sabia que já ia me lascar de qualquer jeito, acabei passando no mercado para comprar minha janta, até porque estava bem tarde então teria coisas com desconto, uh-hu! Comprei uns sushis e voltei, na chuva, comendo eles. Chegando no meu prédio estava tendo uma festa do pessoal (ou seja, cigarro e bebida, um saco), e todo mundo me viu entrando absolutamente ensopado, mas eu não estou nem aí para eles. Mesmo com esses infortúnios, o dia não foi tão ruim, até pq eu recebi parte do dinheiro da minha bolsa, hehehe.

09 out (sab)
Me sinto um vagabundo total. Depois de falar com alguns dos membros da Patota, tive a idéia de procurar jogos no meu Pendrive, e achei alguns emuladores. Pra quê? Passei quase o dia inteiro jogando Super Nintendo! Nada de novo para falar...


18 out (seg)

Ops, deixei passar alguns dias sem escrever nada, desculpem...
Bem, vou fazer um resumo das coisas mais marcantes desde o último dia que eu escrevi.

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Bem, não consigo lembrar de nada antes de sexta, o que já me surpreende pq geralmente eu mal consigo lembrar o que comi no dia anterior!
Na sexta eu só lembro de algumas coisas marcantes: fui mandar uma carta com uma ficha que a Fundação queria que eu preenchesse (nossa que visual estranho dessa palavra “preenchesse”, haha!). Fui de bicicleta para poupar tempo, passando pelo lugar que eu normalmente passo quando vou a pé para os lugares, só não percebi que estava escrito em letras garrafais “proibido qualquer tipo de veículo”... Bem, só fui perceber depois que pelo lugar proibido, mas me passou pela cabeça “nossa, eu vejo bicicletas toda hora em todo lugar, mas aqui eu nunca vi!” enquanto passava por lá. Idiota... Bem, no caminho para o correio eu fui atravessar uma rua com a bicicleta mas parou uma tiazona numa motoneta com uma cara de desesperada. Ela olhou para mim com aquela cara, viu que eu era estrangeiro e apontou para a motoneta dela: tinha um grilo em cima. Ela não falou uma palavra pq provavelmente achou que eu não ia entender nada do que ela dissesse (não sei se isso é um trunfo ou uma desvantagem minha...), mas eu entendi que ela queria que eu tirasse o grilo da motoneta dela. Tirei, ela falou obrigado, mas aí eu lembrei que estava meio perdido pq não sabia direito onde ficava o correio e perguntei para ela, aí ela meio que se surpreendeu mas falou comigo de boa, haha. Bem, enviei a carta e tal, e voltei para a aula que teria no dia. Aí aconteceu outro mico: eu não fui nessa aula na primeira semana, então não sabia direito o que ia ter. A professora entregou uma folha com perguntas sobre um vídeo que ela estava passando na aula anterior e continuaria nessa. Ela tocou o vídeo, eu não entendi nada e não respondi a primeira pergunta. Quando ela passou a parte do vídeo correspondente à segunda pergunta e mandou a gente responder ela foi dando uma volta pela sala. Chegando em mim ela viu que eu não tinha respondido, fez uma cara de surpresa com ligeira indignação e falou meio alto “Ué, pq vc não respondeu essa???”. Onde eu enfiava a minha cara?? Eu fui o burro do dia naquela aula, pq todo mundo tinha respondido bonitinho, menos eu!

Recapitulando o sábado, eu fui comprar um celular nesse dia com o pessoal, Caio, Lídia e Luzia (brasileiros todos). Pegamos todos o ônibus e fomos para um centrinho (Senri-Chuo), que corresponderia à Cidade Dutra de São Paulo, tirando o lixo, camelôs, pessoas mal-educadas e maus elementos à espreita, e adicionando prédios e lojas de departamento com quase tudo que se possa imaginar. É.. a única coisa que faz esse parecido com a Cidade Dutra é que ele não é o centro da cidade (ou centro da província, no caso aqui), fora isso não tem absolutamente nada de parecido. Bem, fomos na mesma loja onde eu comprei as outras de antes e lá aconteceu uma coisa que me lembrou de um episódio do Chavez: escolhemos o modelo e a cor dos celulares e fomos falar com a mocinha das vendas. Ela perguntou “Ok, essas são as cores que vcs querem?”, falamos “Sim”, aí ela virou para a Luzia e falou “Vc quer vermelho?, ela respondeu “Sim”, aí a mocinha disse “Não lembro se temos essa cor, vou verificar. Qual outra cor pode ser?”. Acho que ela não entendeu direito o que a moça disse e falou “Eu quero vermelho”. A moça foi, voltou, e disse “Desculpe, mas não temos vermelho. Só azul e preto. Pode ser um desses dois?”. A Luzia fez uma cara de pensativa, olhou para o celular e disse “Ah, pode ser o vermelho mesmo!”. Não aguentei, comecei a dar risada e falei meio enfático (o pessoal disse que eu falei braqvo, mas não): “Não tem vermelho!”. Coitada, a mocinha se espantou. Pedi desculpas para ela e para a Luzia (se não me engano, haha) e acabou tudo bem. Agora, qual é o episódio de Chavez que essa situação lembra???

Bem, compramos o celular, mas a mocinha disse que teríamos que voltar para lá no dia seguinte para “desassinar” uns pacotes com coisas que não queríamos que só ia deixar a conta mais cara no fim do mês. Não me perguntem por que não dava para fazer isso naquela hora mesmo, pq eu não sei, haha! Depois fomos ver uma loja de roupas, onde eu comprei um conjunto de moleton de blusa e calça que serve de pijama. Meu primeiro pijama (pijama propriamente dito) na vida, eee! Comemos num Fast Food chamaod Lotteria. Comprei o “Incrível hambúrguer de bacon e queijo”, que na verdade é uma desculpa de hambúrguer, pq só de dar uma tragada de cheiro o hamburguer já sumia de tão pequeno que era. Também comi umas rosquinhas que eram até gostosas numa lanchonete e voltamos para casa.

17 out (dom)
Atrasei o pessoal pq cheguei à 10h18min15seg ao invés das 10h18min00seg previstos no quadro do ônibus. Pegamos o ônibus seguinte, das 10:46, e fomos resolver o que faltava do celular. No caminho eu achei uma máquina incrível: era um joguinho que vc paga 100 ienes e controla um “dedo” para ele apertar botão num painel. Se ele apertar o botão direitinho, vc ganha o prêmio correspondente ao botão que vc conseguiu fazer ele apertar. No Brasil os prêmios seriam no máximo aqueles brinquedinhos tipo prenda de festa junina, tipo Pirocóptero, carrinhos de corda, piões entre outros (de repente até uma lata de atum, como de fato tinha nas festas da escola, haha!), mas aqui tem como ganhar um Playstation 3, PSP ou DS! Imagine, se vc tentar 10 vezes e conseguir em uma delas, vc gasta 1000 ienes e pega um PS3, que custa 28000!!!! Acho que dá tirar um sustento no Japão só de pegar esses prêmios e revender, hahahaha! Minha câmera estava sem bateria no dia, então não deu para tirar fotos da máquina, mas quando eu for lá de novo eu tiro! (e ganho aquela droga de PS3, mas pode ser um DS ou um PSP tb!)

19 out (ter)

Hoje eu tive a minha reunião com o meu professor orientador que vai me ajudar a desenvolver uma pesquisa aqui. Ele como pessoa é legal, mas os meus colegas brasileiros falam que ele parece o Silvio Santos, mas japonês. Além disso, eles não gostaram da aula dele, apesar de eu ter achado legalzinha até.
Bem, isso à parte, o ponto alto do dia foi na aula de conversação em que a professora estava falando de doenças e problemas de saúde. Resfriado, tosse, diarréia, mas o que pegou foi a palavra “prisão de ventre”. Ela estava falando que os asiáticos têm intestinos mais compridos do que os ocidentais, e que por isso é mais fácil eles (os asiáticos) terem prisão de ventre. Depois ela falou que esse tipo de coisa acontece muito mais com mulheres do que com homens, então ela virou para mim e disse “Aliás, disso eu não tenho muita certeza. É verdade, João?” Na hora eu pensei “Ué, por que ela tinha que perguntar isso justamente para mim?!”. Eu fiz uma cara de espanto, olhei para os lados e percebi que todos estavam olhando para mim esperando uma resposta. Aliás, na verdade não eram todos, e sim TODAS, pq naquela sala de mais ou menos 16 pessoas eu era o único homem, por isso a professora perguntou aquilo para mim... Continuei com a minha cara e disse “Ah.... eu não sei!”. Não lembro se todos riram ou não, mas é melhor não ficar tentando lembrar isso, já basta ter registrado aqui, hahaha!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

De 21 de setembro a 6 de outubro


Do Brasil para Frankfurt
Lanchinho de biscoitinhos com formato de naipes de baralho, sem muito gosto. Bebi coca-cola, comi arroz com              ervilha, carne, cenoura cozida, abobrinha, salada de alface com 1 azeitona, cebola, peito de peru, tomate, poleguinho e pão com manteiga. Sobremesa foi um bolinho com cobertura de chantily com raspinhas de limão, e recheio de um creminho vagabundo de limão. Bebi suco de laranja, que aliás era amargocomo qualquer suco de laranja industrializado.
Teve uma hora que eu dormi e acordei perto da hora de amanhecer. Como eu estava sentado perto da janela deu para ver direitinho o sol comecando a bater nas nuvens, foi
muito bonito. Nessa hora não pensei em outra coisa: nada melhor do que ver uma cena dessas ouvindo Let the Sun Shine (obrigado pela musica, Má!).
A ultima refeicão foi um cafe da manhã com um omelete no formato de pedaco de torta (gosto horrível), mamão picado com um pedaço de limão e iogurte batavo com pedacinhos de morango.

De Frankfurt para Osaka
Recebemos um pacotinho com uns biscoitinhos estilo mini bits e sticksy (esse é nome daquele salgadinho da Elma chips que são uns pauzinhos com sal?) com vários formatos. O almoço foi uma marmitinha de arroz japonês com carne e um pouquinho de gengibre, macarrão escuro (Soba), salada com pepino, camarão e kani e bolo de ameixa (bem ruinzinho) de sobremesa. Bebi suco de maçã. Diferente do avião anterior, esse tinha Tvzinhas em cada assento, então eu assisti Alice no pais das maravilhas. É uma merda.
O café da manhã foi batata cozida, omelete picado com queijo, frango cozido com molho, pão e salada de frutas.

Cheguei no aeroporto no dia 21 as 8:30 da manhã (horário do Japão) mais ou menos. No aeroporto de Kansai tem um mini-trem que te leva das plataformas de embarque para os saguões, mó legal. Demorou mais ou menos meia hora para sair da imigração, aí pegamos as malas e fomos procurar o pessoal que ia nos buscar. Tinha 2 grupos e eu acabei ficando sozinho (sem o pessoal do avião) num grupo, mas foi legal de qualquer jeito. No meio do caminho eu vi um prédio que tinha o logo da Sega, haha! Depois de uns 30 minutos chegamos no prédio dos estrangeiros e fomos recebidos pelo pessoal do escritório desse prédio. Recebi vários papéis, inclusive um que tinha o horário para uma reunião de explicação do que fazer depois de chegar no Japão. Fomos levados para os nossos quartos para descansar um pouco. O meu quarto é bem grandinho, maior que na foto do livreto que eu recebi no Brasil apresentando a faculdade. O ruim desse prédio é que o banheiro é coletivo, tem um em cada andar, estilo banheiro da Letras (só que não tão fedido)... de qualquer jeito, merda. Todo o pessoal que estava comigo disse que tinhamos um pouco de tempo livre, então fomos num mercado para comprar comida e alguma coisa mais que fôssemos precisar. Compramos uma "marmita" (O Sirius deve saber o que é um Bentô) e comemos do lado de fora do mercado. Um monte de gente olhou para a gente, com umas caras muito discretas, mas com certeza pensando “tinha que ser estrangeiro para fazer isso...”, hahaha. De qualquer jeito, nessa hora das compras descobri como os japoneses são atenciosos. Na hora de pagar é regra a pessoa do caixa falar quanto está recebendo e quanto está devolvendo de troco (até no McDonalds eles fazem isso!). Depois de comer vi que não é so jogar o lixo no lixo, você vai jogando cada coisa na lixeira correspondente a ela. Na verdade em Osaka só se separa latas e garrafas de plástico e o resto joga no mesmo lixo, mas no caso das garrafas tem que tirar o rótulo e a tampa (porque não são plástico PET). Acho que em outras cidades se recicla papel também.

Depois do mercado voltamos para o campus (uns 10 minutos a pé) e combinamos de nos encontrarmos na reuniao de orientação. Entrei no meu quarto para ver o que eu tinha comprado de novo e para ver as moedas japonesas que eu recebi de troco. É engracado que o iene é uma moeda com números muito altos, mas mesmo assim existe a moeda de um iene, que não da para comprar nem uma bala chupada e cuspida, mas td bem, hahaha.
Enquanto eu estava olhando as moedas, lá pelas 14:40, um homem bateu na minha porta e eu abri (senhoras e senhores, ponham a mão no ch... brincadeira, haha). Era o carinha que ia apresentar aquela explicação que eu falei antes, dizendo que eu estava atrasado e me chamando para ir logo assistir a reunião, mas muito educadamente. Me lasquei, pq de fato todo mundo que foi comigo no mercado tinha bastante tempo (a reuniao deles era às 16h, mas a minha era às 14h). Pelo menos eu não estava sozinho, tinha um outro cara atrasado que nem eu, que aliás é o meu vizinho de quarto, haha. A reunião do amigo dele tb era às 16h, então acho que aconteceu com ele o mesmo que aconteceu comigo. Ótima impressão que eu causei logo no meu primeiro dia no Japão, hahahaha. Nessa explicação eu recebi um monte de coisa para preencher e um outro papel dizendo para ir lá de novo as 8:50 do dia seguinte. Na saída da minha reunião eu encontrei com o pessoal e expliquei o q aconteceu, depois combinamos de ir de novo no mercado à noite. Voltei para o meu quarto, peguei no sono e acordei tarde demais para me encontrar com eles (dormi muito pouco no avião e não tive um tempo para dormir até então).

22 de setembro (qua)
Comi um Cupnoodles de café da manhã que comprei no dia anterior e saí para a reunião das 8:50. Na verdade a gente ia sair para ir na prefeitura fazer o registro de estrangeiro e abrir uma conta no banco para receber a bolsa e pagar o aluguel do alojamento. Obviamente fomos com a ajuda de um aluno japonês para a gente não ficar mais perdido que cego em tiroteio, haha! Foram duas meninas que ajudaram a gente, Yuka e Juri. a Yuka é bem bonitinha, até!
Os ônibus do Japão têm jeito de velhos, não no sentido de acabados mas sim que eles tem uma aparência estética de anos 70 (mas infinitamente melhor que os nossos ônibus dos anos 70, claro). O assentos têm uma aparência de sala de espera de consultório chique dos anos 70, para tentar ser mais exato. São estofados e confortáveis, não que nem o estofado meio duro dos nossos ônibus. É um estofado verde-oliva aveludado, mó legal. quando a gente entra a gente tem que pegar um ticketzinho de uma maquininha e guardar até o fim da viagem. O preco da passagem varia de acordo com a distancia que a gente percorre no ônibus. No ticketzinho está escrito um número (quanto mais perto do ponto final você está, maior é o número que você pega), e na parte da frente tem um painel que diz quanto cada número deve pagar. Esse número não tem nada a ver com o número de pessoas que subiram no onibus, e sim com a distância que o onibus percorreu a partir do ponto inicial. Nós todos pegamos o ticket com o número 3, então pagamos 250 ienes. Quem subiu bem antes da gente pegou com o número 2 ou 1, então pagou acho que 270 e 300, respectivamente. Pois é, não dá para pegar um dia para entrar num ônibus e ficar nele até cansar só para ver os lugares passando, porque senão vai custar uma fortuna! Os ônibus em Osaka são bem lentinhos, na verdade todo mundo é meio lento, sem muito desespero que nem em São Paulo (estou numa região bem afastada de Osaka, então talvez no centro o povo é mais neurótico, mas não sei). Bom por um lado, ruim por outro. Um trajeto de uns 25 minutos aqui ia ser feito em uns 15 se fosse com um motorista de micrôonibus de São Paulo, mas pelos menos não corremos risco de morrer num acidente aqui, hahaha.
Na prefeitura o atendimento foi rápido ate certo ponto, mas depois tomamos um chá, não um chá japonês e sim um chá de cadeira. Ìamos ter que esperar por 1 hora, então aproveitamos para ir comer no McDonalds daqui. É bem parecido com o de São Paulo. Até o refri grande só é grande pq colocam 40 pedras de gelo no copo, mas a batata grande é realmente grande.
Depois da prefeitura fomos no banco abrir uma conta. Deu quase tudo certo, se não fosse por uma menina alemã que foi dar uma volta enquanto a gente esperava eles processarem as fichas que a gente preencheu e não voltou mais. Depois descobrimos que ela deu um jeito de voltar sozinha para o campus, mas eu nao sei bem o que aconteceu para ela fazer isso. Passamos quase o dia inteiro fora (das 9h as 17:30), foi meio cansativo. À noite fomos no mercado comprar uma marmita de janta.

23 de set (qui)

Uhh, primeiro dia de chuva no japao! hoje foi feriado, advinha do que? Meu, só porque hoje é o dia da troca de estação (verão para outono) esses japoneses resolvem fazer feriado! Meu café da manhã foi uma baguete doce coberta de chocolate recheada com um creme tipo Ana maria, não muito ruim, mas tb não muito bom. Às 10:30 o pessoal combinou de irmos dar uma volta no shopping. Foi a primeira vez que tomamos ônibus sem a ajuda de ninguém, eee! Descemos no shopping e fomos dar uma volta. É incrível como tem tantas lojas abertas mas ninguém entra nelas! Como elas não vão a falência?! Falando em muitas lojas, aqui tb tem muitos, muitos bancos diferentes. Aquele caixa eletrônico “coringa” (Banco 24 horas no Brasil) suporta uns 50 bancos! A gente foi no mercado comprar algumas coisas essenciais. Eu fiquei dando uma volta para ver se achava eletrônicos ou coisa assim no mercado. Achei a seção de videogames! Pela primeira vez eu olhei para os jogos e vi que podia de fato comprar algum q eu quisesse, pq o preço não é um roubo q nem no Brasil! Uma câmera com todos os megapixels do mundo (na verdade 14MP) custa uns 250 reais, incrível!
Depois fomos nas lojas mágicas de 100 ienes, que são equivalentes as lojas de 1,99 do Brasil, mas muito melhores. Comprei o meu cafe da manhã do dia seguinte, máscaras para usar quando eu estiver um pouco doente (eles têm esse costume por aqui) e até uma camiseta de 100 ienes (sim! uma camiseta 100% algodao por 2 reais!)! preciso ir lá mais vezes, haha! Aliás, as atendentes dessa loja falam de um jeito muito estranho, totalmente nasalado. Esse sotaque é comum por aqui, mas elas forçavam a barra.
Esqueci de falar no começo que hoje foi o aniversário de uma intercambista amiga nossa da Lituânia, então compramos um bolo de chá verde com cobertura de feijao doce e recheio de baunilha (sim, isso por aqui é considerado um doce, haha) e fizemos uma surpresa para ela! Jogamos conversa fora com ela e uma menina da Bulgária ate quase 22h, foi bem legal.

24 set (sex)

Estou usando a minha camiseta de 100 ienes, uh-hu! Coube certinho em mim, mas acho que isso não é tão bom, primeiro pq ela é muito fininha então meus mamilos ficam visíveis (A Má diria “miau!”, talvez o Carlos tb, haha!), depois pq ela com certeza vai encolher quando eu lavar. Pelo menos foi só 100 ienes! Droga, preciso fazer uma redacão, mas não estou com a mínima vontade...
(Algumas horas depois)
Bem, o dia acabou e eu ainda não fiz a redacão. É para segunda, então acho que não faz mal.
Eu acho que alguma hora eu vou ter meio que apresentar alguma coisa da cultura brasileira, entao escolhi mostrar uma dança junto com a menina brasileira que veio junto no avião. Me peguei dançando Cara Valente sozinho para ver se eu lembrava os passos, mas... Má, eu precisava de você agora! Esqueci como faz o gancho e aquele passo que faz voltar do "1 para lá 1 para cá" para o passo básico!
Ah, sim. descobri melhor por que ontem foi feriado. Na verdade foi por causa do equinócio de outono, pq daqui para frente o dia vai começar mais tarde e ir terminando  mais cedo. De fato, esse tipo de coisa funciona que nem um relojinho. O Felipe conhece Harvest Moon e sabe que no jogo a troca de estacões nao é gradual, mas de um dia para o outro tudo muda completamente. Por incrivel que pareca aquilo não é simplesmente uma limitação do videogame em apresentar a troca das estações de forma gradual, pq de fato o último dia do verão (esta quarta feira) foi como todos os outros: loucamente quente, abafado e ensolarado. Mas na quinta já apareceu um friozinho que continuou hoje e está com cara de continuar amanha tb. O clima mudou assim de repente mesmo, igual em Harvest Moon! Mas lógico, as árvores nao ficaram alaranjadas de um dia para o outro que nem no jogo, haha!
Depois de desistir de escrever a redação, fomos todos no bandejão da faculdade para ver como é. A comida é bem gostosinha atá, tem várias opções todo dia e vc vai montando a sua bandeja como vc quer com as comidas disponíveis. Claro, não se compara aos R$1,90 do bandejão, já que eu gastei \350 (uns 7 reais) e não enchi que nem na casa da Lari, haha! De qualquer jeito, é mais barato que nos restaurantes comuns, então acho que vou começar a ir bastante nesse bandejão.
Chegou também um pessoal novo. Dentre eles a gente conheceu um inglês no caminho para o mercado, que acabou indo com a gente fazer compras. Coitado, ele parecia mais  perdido que cego em tiroteio, então não desgrudava do pessoal, foi até um pouco incômodo, mas td bem. a gente tb conheceu uma chinesa nova, muito legal e extrovertida. Diga-se de passagem, ela é bonitinha tb, hahaha. Aliás, as chinesas são quase sempre mais bonitas que a japonesas, não sei se vocês perceberam, Felipe, Fernando e Bruno (melhor não colocar o Carlos nessa conversa, haha). Talvez não, até pq eu acho que já ouvi o Bruno falar que são todas iguais, hahaha.

25 set (sab)

Hoje acordei meio cedo e fui andar para conhecer melhor os lugares aqui. Peguei um mapa e saí. Cometi altas cagadas no meio do caminho, hahaha. Primeiro, antes mesmo de sair do campus, dei bom dia de um jeito meio rude sem querer para um tiozão que estava passando, só depois que ele me respondeu foi que eu percebi que tinha falado merda... depois fui descendo a rua, o problema é que tem muitas ruas muito estreitas que não tem calcada nem nada que indique onde um pedestre pode andar, e algumas ruas têm uma calcadinha ridícula só de um dos lados. Quantas vezes eu não me peguei sendo visto com cara feia pelos motoristas, hahaha. Bem, de algum jeito que eu não  entendi muito bem eu consegui chegar numa avenida grande, com várias lojas. A minha intenção na verdade era ir na loja de usados para ver se eu achava alguma coisa interessante lá, mas estava fechada e só ia abrir às 10h, então fui numa loja lá tipo Kalunga passar um tempo. O nome da loja é Conan (quem imaginou o Arnold Schwaznegger com uma tanguinha e capacete de chifres empunhando uma clava te esperando na entrada da loja diga "eu!", haha). Depois fui numa loja de eletrônicos ver  notebooks. Bem, eles de fato são mais baratos que no Brasil, mas eu esperava que fossem mais... Vou ter que comprar um bem vagabundinho para poder mexer na internet... Aliás, Stephanie e Jennifer, a Mi ia adorar as lojas por causa das musiquinhas de auto-propaganda que ficam tocando de fundo, dá para jurar que são feitas para criancas! Bem, a loja de usados já deveria estar aberta, entao fui lá dar uma olhada. A primeira coisa q eu vi quando entrei: jogos! Achei um bem divertido de PS2 e  comprei. Lá tb tinha mais um monte de coisa, inclusive notebooks e câmeras usadas, mas estavam caros demais mesmo sendo usados. Acabei saindo de lá só com o jogo mesmo... Bem já era a hora de voltar. Foi ai que o bicho pegou. Mesmo tendo um mapa na mão e sabendo que ruas eu tinha andado (sabia mais ou menos, pq teve uma horinha q eu me perdi, haha) eu tinha certeza de que ia dar merda, e deu, haha. O caminho de volta deveria levar uns 40 minutos, mas acabou levando quase 1h30, hahaha, mas pelo menos aqui não existem as bocadas onde os manos ficam esperando um trouxa chegar perdido para roubar até as cuecas, entao não me preocupei muito. Mas eu percebi duas coisas muito interessantes: primeiro que as ruas no Japão não têm nome, mas a vizinhanca é dividida em vários mini setores e cada casa tem um numero grande que nem CEP para ser achada pelo carteiro. Por um lado é interessante, mas tb é extremamente ineficiente, já que mesmo os próprios japoneses fazem uma confusão desgraçada com esse sistema. A outra coisa que eu vi que é mais interessante ainda é que os bairros têm uma placa grandona com um mapeamento de todas as casas, inclusive com o nome das familias que vivem nelas! Já pensou je tivesse um negócio desses aí no São José, Má? hahaha.

26 set (dom)

O dia foi meio chato. Eu estou num lugar diferente mas continuo o mesmo, ou seja, qualquer lição ou trabalho que eu tiver que fazer eu vou fazer só na ultima hora (preciso perder esse costume...), e não deu em outra: tive 5 dias para fazer 2 redações em japonês para entregar amanhã, mas acabei deixando elas para hoje. O dia já está no fim e olha que eu nem consegui terminar a segunda ainda! Pelo menos é para o meio dia de amanhã, então dá tempo. De qualquer jeito, o pouco tempo q eu passei fora do quarto foi indo no mercado comprar o almoço e a janta... tomara que não, mas suspeito q isso talvez vire rotina... a caráter de espairecimento (essa palavra existe?) vale lembrar que eu ouvi No Stress depois que cansei de ficar com a cara no meu dicionario procurando as palavras que eu queria usar na redação.

27 set (seg)

Acordei às 5 e pouco como de costume e fui terminar a minha redação. Ainda bem que eu comecei cedo pq só fui terminar às 11h30, quase na hora de entregar! Hj tb teve teste de nível para saber em qual sala eu vou ficar. Depois disso o dia foi meio inútil, tentei pesquisar nomes de lojas de videogame para ir outro dia, mas como estou sem internet vai demorar um pouco para eu conseguir localizar elas. Fui ler um livro para passar um tempo até chegar a hora que as marmitas no mercado ficam com desconto, las pelas 7h30. Me lasquei! Vcs sabem que existem duas coisas que são tiro e queda para eu dormir: aulas de literatura e livros. Merda! acordei depois das 20h, saí correndo para o mercado, mas já tinha acabado quase todas as marmitas... a única que tinha era uma sem desconto, com uma dúzia de gyozas pequenos. Minha janta acabou sendo isso e uma barra de chocolate, mas td bem...

28 set (ter)

Estou escrevendo isto no dia 30, entao não lembro mais muito bem o que aconteceu, hahaha. Acho que fui andar um pouco para conhecer a cidade melhor, depois teve uma provinha no computador para testar o nosso japonês e então fomos fazer o exame de saúde no hospital. Me senti um idiota quando fui tirar o raio x do pulmão e o carinha falou "coloca o queixo no apoio", mas eu não sabia como era "queixo" e fiquei de costas para o apoio, ai ele disse "não, não, vira", ai eu virei só 90 graus, ao invés da meia volta que ele queria q eu fizesse. No fim, o cara teve que me segurar pelo ombro e me colocar no lugar certo. Que tapado que eu sou... hahahaha.

29 set (qua)

Hoje foi a entrevista para testar a nossa habilidade de fala em japonês. Tudo correu bem, até chegar naquela pergunta "o que vc quer fazer da sua vida no futuro?". eu até sabia o que responder, mas não sabia como falar o que eu queria... mas blz, já passou. Eu tentei entrar no facebook hoje tb, mas o maldito detectou que eu não estava acessando do Brasil e me fez passar por um teste para saber se era eu mesmo, só que aí a página falhou e ele pensou que eu tinha falhado no teste, entao não consegui entrar, merda... vou tentar amanhã de novo.

30 set (qui)

Hoje foi mais um dia de orientações para as aulas, que começam amanhã. Segundo o meu teste de nível, eu caí no avançado, mas vamos ver se eu consigo realmente dar conta das matérias do avançado... depois de mais de uma semana no campus, só agora foram levar a gente para um tour dentro dele, num dia chuva. Bem, eu já conhecia todos os lugares que eles mostraram, então foi mais um dia para eu me molhar de graça do que para eu conhecer os lugares, hahaha. Ah, sim, esqueci de dizer que houve uma reviravolta na minha vida: eu tenho um guarda-chuva!

01 out (sex)

Uhhh, as aulas começaram hoje! Como tem muitas aulas diferentes no mesmo horário, por enquanto a gente pode assistir as aulas só para ver como são, mas no dia 18 ja temos que ter decidido em quais vamos ficar. Lógico, eu não poderia me atrasar para a minha primeira aula numa faculdade do Japão, e de fato não me atrasei, mas fiz uma cagada MASTER que nem no Brasil eu nunca fiz, só para começar bem o meu semestre. Na sexta eu não tenho aula no primeiro horário, que é das 8:50 às 10:20, então nem fui para o prédio, fiquei no meu quarto. A minha primeira aula seria às 10:30, mas o problema é que eu acabei saindo do meu quarto meio tarde, às 10:26. O prédio da aula é bem pertinho do meu dormitório, uns 2 minutos a pé. Fui correndo e cheguei no prédio as 10:28 e já tinha um monte de gente e o professor na sala. Todo mundo estava com uma folha na mão que o professor tinha dado, aí eu entrei bem de fininho pedindo licença e o professor falou "espera um pouquinho". Eu pensei comigo "ah, td bem, daqui a pouco então ele me dá a folha", e saí costurando a sala toda para sentar no fundo, num dos poucos lugares vazios. Sentei. O professor estava falando umas coisas que eu não estava entendendo absolutamente nada! Depois de mais ou menos 1 minuto ele fala "ok, então a gente continua na próxima aula, pessoal! Até semana que vem" desculpem o palavrão, mas PUTA MERDA! Eu entrei na sala certa, mas ainda estava tendo a aula do primeiro horário! Existe gafe maior do que invadir a aula de um professor, e ainda por cima ser visto por todos os alunos, dentre eles gente que te conhece? Eles devem estar me achando um completo idiota até agora! Tinha que ser eu para fazer uma cagada dessas...
Fora isso as aulas foram bem interessantes, mas dificeis. A primeira foi de Kanji, mas sobre os Kanji não ensinados na escola. É MUITO dificil, acho que eu não vou conseguir continuar nela... a segunda aula foi de compreensão auditiva com uma professora muito legal, espontânea e engraçada. O ruim é que ela passa vídeos gravados numa fita K7! A última aula, de gramática, é com essa mesma professora, e foi a que eu mais gostei. Ah, sim, agora que as aulas voltaram o bandejão daqui funciona à tarde e à noite, u-hu!


02 out (sab)

Saí cedo, às 9:30 para achar uma loja de eletrônicos para eu finalmente comprar o meu notebook. Eu esperava voltar às 12:30 para o dormitório. Adivinhem que horas eu cheguei? Às 19:00, hahaha! Não aconteceu nada de ruim no meio do caminho, mas eu acabei passando um tempão na loja e ainda depois disso passei em brexozinhos (é com X?) para ver se achava alguma coisa interessante. No fim das contas eu não achei muita coisa, mas td bem. O que importa é que finalmente eu consegui comprar o meu notebook! Aliás, foi uma merda conseguir comprar o notebook, porque o meu cartão de crédito não estava querendo passar! Fiz a menina do caixa ligar para a central da Visa (maldita!) para ver o que estava acontecendo. Ainda assim ela não conseguiu passar o cartão na maquininha, então ela pegou uma engenhoca bem estranha, que eu já tinha visto na tv. É tipo uma prensinha que vc coloca papel carbono e o cartão de crédito, aí vc passa a prensa e aqueles dados em alto-relevo do cartão ficam marcados no papel carbono. Eu nem sabia que esse negócio chegou a de fato existir algum dia, hahaha! Logo logo compro a minha câmera!

03 out (dom)

Maldito! Comprei a droga do computador justamente para poder falar com os meus amigos e a minha família, mas não estou conseguindo conectar na internet!
Hoje fui de novo numa loja de usados, mas desta vez foi com um pessoal. Aproveitei e comprei uma bicicleta, mas nova. Quando se compra uma bicicleta aqui você tem que registrar ela, senão se a polícia pegar você eles confiscam ela. Pelo menos se ela for roubada fica mais fácil conseguir de volta, porque vira e mexe a polícia pára as pessoas para ver se a bicicleta está com o documento em ordem. Nossa, já fazia mais de 6 anos que eu não subia em uma bicicleta! Vou demorar um pouco para me acostumar, mas tudo bem. Eu sempre demorei séculos a pé para chegar nos lugares aqui, entao a bicicleta provavelmente vai me ajudar. Eu só tinha esquecido que numa subida andar a pé é bem menos complicado que de bicicleta, e aqui é cheio de sobe e desce... mas bem, muita, muita gente mesmo anda de bicicleta por aqui. Quando se anda na calçada você tem que andar em linha reta, porque se ficar fazendo zigue-zague corre um alto risco de ser atropelado com alguém! Pois é, onde eu moro não tem ciclovia (na verdade não sei se em outros lugares tem...), então todo mundo anda na calçada, pedestres e biciletas. Parece meio ruim, mas se não foi proibido até agora é porque deve dar certo, e também não tem nenhum louco correndo de bicicleta na mesma velocidade que um carro. Aliás, como eu já tinha falado antes, as pessoas têm um senso de cidadania muito melhor que, bem... Na loja de usados o pessoal comprou uma panela para fazer arroz japonês, que ficou na cestinha da minha bicicleta. Na volta passamos no mercado para comprar comida. Você pode deixar a sua bicicleta no estacionamento a céu aberto do mercado sem trava nem nada e não precisar se preocupar em, depois das compras, não achar mais ela! É uma merda pensar que isso é um milagre, quando deveria ser a obrigação de qualquer ser humano ter respeito pelos outros...

04 out (seg)

Ah... segundo dia de aula... depois da merda que eu fiz no primeiro, estava com medo de fazer outra cagada no segundo. Bem, cagada eu não fiz, mas aconteceu outra coisa meio desagradável hoje. A primeira aula era de gramática, diferenças entre japonês escrito e japonês falado. Escolhi essa aula todo contente, pq de fato achei muito interessante pelo nome. Entrei na sala, pouco depois a professora chegou, sem dar bom dia nem nada. Ela botou a bolsa na mesa e falou “Bem, essa aula de gramática que eu dou é muito, muito, muito difícil, então se algum de vocês não tem o nível máximo de acordo com o teste internacional de proficiência de língua japonesa, eu sugiro que vá assistir outra aula”. Quem foi um dos únicos 2 idiotas que saiu da sala que nem o Cão Arrependido do Chavez? Eu!! O pior é que lá tinha gente que eu conhecia que eu sabia que não tinha o nível máximo no teste e mesmo assim ficou na aula! Para melhorar mais ou pouco, fui correndo para outra sala ver uma aula que o professor ainda não tinha chegado, entrei, sentei e esperei. Esperei até mofar, porque o professor não foi para a aula... fora isso o dia foi até bom, com uma aula de Kanji e outra sobre a sociedade japonesa contemporânea focada na vida dos jovens japoneses, em especial na questão profissional. Essa última foi insanamente difícil, porque obviamente foi tudo em japonês, mas mesmo só tendo entendido metade da aula foi legal, até! Ah, sim, finalmente consegui fazer o meu PC entrar na internet! Na verdade um velhinho do centro de informática configurou o computador para mim de um jeito que entra na internet. O pior é que eu dei o maior trabalho para ele, e ele só fez o que estava escrito na folha de instruções que eu recebi para conseguir conectar na internet sem fio, só que não reiniciei o PC para aplicar as configurações, idiota... acho que vou dar um presente para ele depois para agradecer. Ah... merda, esqueci o nome dele, vou ter que ir perguntar para a moça que me indicou ele... Yoshizawa? Não lembro...

05 out (ter)

Recebi um, e-mail daquela senhorinha com que eu conversava antes de passar na prova do intercâmbio, que bom que ela lembra de mim!
Como eu sou uma merda falando japonês, resolvi pegar aulas intermediárias de conversação. Descobri hoje também que de terça-feira vamos fazer periodicamente excursões e talm parece que vai ser bem divertido. Hoje finalmente consegui entrar na internet de manhã para ver se pegava algum amigo on-line. Pena que poucos estavam on, mas de qualquer jeito, a bateria deste computador é muito fraquinha e ela acabou ficando sem energia no meio da conversa...
Eu já venho há alguns dias assistindo um pouco da TV japonesa, e, nossa, como a brasileira é melhor, por mais que seja cheia de novelas e noticiário de desgraça... pelos menos nas novelas daqui os atores não atuam como se estivessem em Chiquititas, com aquele fingimento descarado. Os comerciais japoneses tb deixam um pouco a desejar. Tem uns bem produzidos e tal, mas tem uns que a primeira coisa que me vem na cabeça é a famosa fala da Má “Queridão/ona, jura?!”. Falando em coisas absurdas, fiquei sabendo que o Tiririca foi o deputado federal mais votado e que agora estão querendo ver se ele é alfavetizado para revogarem a vitória dele caso ele seja analfabeto. Bem, eu já não me surpeendo mais com esse tipo de absurdo, já que todos os brasileiros já estão acostumados, desculpe a palavra, com a putaria e a palhaçada que é a política de lá... Mas voltando a falar sobre a TV japonesa e tocando no assunto “palhaçada”, o pessoal do Brasil tem que se contentar com Zorra Total, pq sinceramente a comédia japonesa é uma merda. Td bem, eu ainda não domino o idioma e tal, mas das poucas piadas que eu cheguei a entender, quase nenhuma teve graça... Sim, a Lady Kate é melhor do que o pessoal daqui, pelo menos por agora, enquanto ainda tem várias piadas japonesas que eu não entendo.
Ah, alguém se lembra daquela camiseta de 100 ienes que eu tinha comprado? Bem, eu lavei ela hoje. Acho que agora dá para mandar de presente para as “meninas” do Putusp, já que agora essa camiseta deixa naturalmente o umbigo exposto, hahaha. Da próxima vez que eu comprar uma camiseta de 100 ienes, vou deixar a GG comprada para ficar no tamanho certo depois que lavar!

06 out (qua)

Bem, nada de muito especial hoje... só que eu pela primeira vez vi as famosas privadas hi-tech japonesas. Não, eu não cheguei a usar ela, haha. No prédio onde eu tenho aula tem um banheiro que tem uma “privada” tradicional japonesa, aquela que vc usa de cócoras, e uma privada ocidental, só que cheia de recursos, tipo o esquicho “pós-obra” e sei lá eu mais o que. Quando eu puder vou escondido no banheiro e tiro uma foto para mostrar para vcs. A privada tem um painelzinho do lado direito com uns botõezinhos que fazer algumas coisas. Não duvido que esquente o assento para não dar aquele frio na espinha na hora que precisa sentar, hahaha. Aliás, nesse mesmo banheiro que eu vi a privada eu cometi uma gafe: quando eu entrei a porta já estava aberta, e nem me passou pela cabeça o fato de as portas de banheiros públicos serem do tipo que fecham sozinhas, até porque se ficassem abertas daria para, de certos ângulos, ver o que está acontecendo dentro do banheiro. Esse banheiro não era exceção. Usei o mictório, mas a minha visão periférica me permitiu ver um vulto à minha direita. Quando eu olhei me dei conta de que eu estava absolutamente exposto ao mundo com aquela porta do banheiro aberta e que o vulto era alguém passando pelo corredor do lado de fora! Ops... Fora isso não acho que tenha acontecido mais algo de relevante, mas posso dizer que uma das matérias que eu assisti hoje foi muito boa (e, como todas as outras matérias, difícil). Vou para Tóquio na sexta, preciso de uma câmera para registrar os melhores momentos no trem-bala!