terça-feira, 19 de outubro de 2010


07 out (qui)

Merda, deixei para escrever o que aconteceu nesse dia só hoje, dia 8, então já esqueci tudo de interessante que eu tinha para falar...
Bem, assisti aula só até meio-dia, depois saí para comprar a passagem do trem-bala que eu tenoh que tomar amanhã para ir para Tóquio visitar a fundação que me dá a minha bolsa. Caso eu não tenho dito antes, o transporte no Japão é muito eficiente, mas insanamente caro. Tudo bem que Osaka-Tóquio dá quase a distância São Paulo-Rio de Janeiro, mas essa minha passagem de ida e volta custou pouco mais de 500 reais. Sorte que eles me devolvem à parte os custos do transporte até Tóquio, haha.
Descobri que o lugar onde eu comprei a passagem é a um tropeço da loja onde eu comprei o computador, e nela tb tinha câmeras aos montes. Passei lá para dar uma olhada e achei uma câmera de, tipo, 10000000000 Mega Pixels por, tipo, 50 centavos, hahaha. Brincadeira, mas as câmeras por aqui são razoavelmente baratas. Peguei a minha de 14 Megapixels e zoom óptico de 5x por 11000 ienes, que dá uns 220 reais. Acho que no Brasil essa mesma câmero estaria pelo menos uns 600 reais, não? Aliás, uma coisa legal no Japão é que os vendedores estão lá para te ajudar nas suas dúvidas, e nada além disso. Eles não vão ficar perguntando se você quer, além da câmera, o tripé, a bolsinha, uma bateria extra, um cartão de memória dos mais caros, nem te levam à força para a parte onde vende impressoras para vc comprar uma que imprima as suas fotos nem nada. Você fala “quero isso”, eles falam “Está bem”, e pronto. A parte ruim é que esse tipo de comportamento dos vendedores típico no Brasil de vez em quando é útil. Eu andei 5 minutos e lembrei que não tinha comprado um case para a câmera, então tive que voltar para comprar... mas td bem.
Bem, arrumei tudo que eu precisava para o dia seguinte e fui dormir.

08 out (sex)

Ah, comprei minha passagem para o trem bala, que partia da estação de Shin-Osaka às 8h. Tive que acordar às 5:30 para conseguir chegar lá a tempo, ou seja, revivi meus dias de faculdade no Brasil, hahaha. Chegar até Shin-Osaka não era tão fácil assim, pq eu ia ter que fazer baldeação no meio do caminho. Saindo às 7h seria o suficiente, considerando atrasos inesperdos. Eu só esqueci de também considerar os atrasos esperados, hahaha, porque eu não sabia mexer na máquina de tickets e tive que aprender na marra e na pressa. Eu já falei que o transporte no Japão é caro?? Para chegar até Shin-Osaka eu gastei uns 12 reais, isso porque a distância da estação inicial até lá era tipo o trem Grajaú-Vila Olímpia. É bom ter cara de estrangeiro, porque é só vc fazer uma cara de perdido e chegar para qualquer um falando “Sumimasen” que te ajudam na hora, hahaha! Cheguei em cima da hora na estação do trem-bala (vou começar a chamar de Shinkansen, pq é assim em japonês). Ele é até parecido com um avião por dentro! Tenho fotos comigo, confiram depois. A viagem de Osaka até Tóquio demorou mais ou menos 2:30h, o que é mais ou menos o que eu levava para voltar da faculdade para casa quando passava das 3 da tarde, só que aqui são 450km e lá não era mais que 50km... Ah.... estou morrendo de sono, continuo esse texto amanhã...
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Pronto, então além do trem ser parecido com um avião por dentro, de vez em quando passava uma mocinha com um carrinho de comidas, que nem no avião tb. Eu não sabia se era de graça ou se tinha que pagar, então fiquei na minha, mas eu até queria comer uma coisa ou outra daquele carrinho... depois descobri que tinha que pagar, então foi bom eu não ter pedido nada, hahaha.
Chegando em Tóquio eu saí da estação de trem e fui procurar o prédio onde fica a fundação. Esqueci de falar antes, mas eu fui todo vestido de social, incluive com terno, o tempo todo. Meu calcanhar estava em carne viva por causa daquele sapato, ahhhh.... sentei num banco e nada discretamente coloquei um pedaço de lenço de papel dentro da meia para não raspar tanto o calcanhar com o couro do sapato. Daí para frente passei o dia inteiro andando esquisito para não machucar o meu pé, nem sei o que as pessoas que me viam pensavam de mim, e tb nem ligava, hahahaha. O lugar em específico onde eu estava em Tóquio não era tão cheio de gente. Era bem fechado, com prédios altos fazendo sombra em tudo e com vários andares de pontes para os veículos. Só dei uma caminhada rápida para tirar algumas fotos e depois fui para o prédio lá. Mais duas meninas aqui da mesma faculdade que eu tb estão recebendo a bolsa, então estavam lá tb. Uma moça muito simpática recebeu a gente e deu uma pasta com uma revistinha sobre a fundação é várias páginas de documentos e relatoriozinhos que a gente vai ter que ir entregando ao longo do ano. Depois veio um vovô falar umas coisas que eu não estava entendendo quase nada. Se mesmo em português eu já acho difícil entender as pessoas de idade falando, imagine em japonês! O pior é que eu acho que ele é meio que o chefão da fundação, então fingi que estava entendendo tudo que ele falava, hahahaha. Aí chamaram a gente para almoçar, finalmente, porque nem café da manhã eu tomei direito na pressa de chegar na hora lá. Gostosinho, com variedades de sushi e tal, só não deu para encher a barriga, hehehe. Conversamos um pouquinho, tirei algumas fotos pela janela do prédio, que tinha uma vista bonita da cidade e da torre de Tóquio e daí já chegou a hora de ir. Foi nessa hora que eu fui no banheiro e tirei uma foto da privada hi-tech japonesa, hahaha. Não deu para passear muito por Tóquio, e também eu estava sozinho, pq as meninas tinham seus próprios compromissos, então quando eu for junto com um pessoal daqui eu aproveito melhor o passeio.
Na volta eu tirei algumas fotos do trem do shinkansen e tb filmei. Quando eu tiver um programa bom para diminuir o tamanho das imagens eu coloco as fotos e os vídeos on-line! Bem, peguei o trem, cheguei em Osaka de volta, peguei o metrô, fui comprar algumas coisas (leia-se videogames, haha) na loja de eletrônicos daqui e peguei o ônibus. Queria chegar no dormitório logo pq estava chovendo e eu estava meio cansado. Bem, eu já peguei ônibus sozinho uma ou duas vezes sem ter problemas, mas tem que ter uma primeira vez para tudo: peguei o ônibus errado. Meio-errado, na verdade, pq ele me deixava relativamente perto da faculdade, mas eu teria que andar uns 20 minutos para chegar, só que estava chovendo... já que eu sabia que já ia me lascar de qualquer jeito, acabei passando no mercado para comprar minha janta, até porque estava bem tarde então teria coisas com desconto, uh-hu! Comprei uns sushis e voltei, na chuva, comendo eles. Chegando no meu prédio estava tendo uma festa do pessoal (ou seja, cigarro e bebida, um saco), e todo mundo me viu entrando absolutamente ensopado, mas eu não estou nem aí para eles. Mesmo com esses infortúnios, o dia não foi tão ruim, até pq eu recebi parte do dinheiro da minha bolsa, hehehe.

09 out (sab)
Me sinto um vagabundo total. Depois de falar com alguns dos membros da Patota, tive a idéia de procurar jogos no meu Pendrive, e achei alguns emuladores. Pra quê? Passei quase o dia inteiro jogando Super Nintendo! Nada de novo para falar...


18 out (seg)

Ops, deixei passar alguns dias sem escrever nada, desculpem...
Bem, vou fazer um resumo das coisas mais marcantes desde o último dia que eu escrevi.

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Bem, não consigo lembrar de nada antes de sexta, o que já me surpreende pq geralmente eu mal consigo lembrar o que comi no dia anterior!
Na sexta eu só lembro de algumas coisas marcantes: fui mandar uma carta com uma ficha que a Fundação queria que eu preenchesse (nossa que visual estranho dessa palavra “preenchesse”, haha!). Fui de bicicleta para poupar tempo, passando pelo lugar que eu normalmente passo quando vou a pé para os lugares, só não percebi que estava escrito em letras garrafais “proibido qualquer tipo de veículo”... Bem, só fui perceber depois que pelo lugar proibido, mas me passou pela cabeça “nossa, eu vejo bicicletas toda hora em todo lugar, mas aqui eu nunca vi!” enquanto passava por lá. Idiota... Bem, no caminho para o correio eu fui atravessar uma rua com a bicicleta mas parou uma tiazona numa motoneta com uma cara de desesperada. Ela olhou para mim com aquela cara, viu que eu era estrangeiro e apontou para a motoneta dela: tinha um grilo em cima. Ela não falou uma palavra pq provavelmente achou que eu não ia entender nada do que ela dissesse (não sei se isso é um trunfo ou uma desvantagem minha...), mas eu entendi que ela queria que eu tirasse o grilo da motoneta dela. Tirei, ela falou obrigado, mas aí eu lembrei que estava meio perdido pq não sabia direito onde ficava o correio e perguntei para ela, aí ela meio que se surpreendeu mas falou comigo de boa, haha. Bem, enviei a carta e tal, e voltei para a aula que teria no dia. Aí aconteceu outro mico: eu não fui nessa aula na primeira semana, então não sabia direito o que ia ter. A professora entregou uma folha com perguntas sobre um vídeo que ela estava passando na aula anterior e continuaria nessa. Ela tocou o vídeo, eu não entendi nada e não respondi a primeira pergunta. Quando ela passou a parte do vídeo correspondente à segunda pergunta e mandou a gente responder ela foi dando uma volta pela sala. Chegando em mim ela viu que eu não tinha respondido, fez uma cara de surpresa com ligeira indignação e falou meio alto “Ué, pq vc não respondeu essa???”. Onde eu enfiava a minha cara?? Eu fui o burro do dia naquela aula, pq todo mundo tinha respondido bonitinho, menos eu!

Recapitulando o sábado, eu fui comprar um celular nesse dia com o pessoal, Caio, Lídia e Luzia (brasileiros todos). Pegamos todos o ônibus e fomos para um centrinho (Senri-Chuo), que corresponderia à Cidade Dutra de São Paulo, tirando o lixo, camelôs, pessoas mal-educadas e maus elementos à espreita, e adicionando prédios e lojas de departamento com quase tudo que se possa imaginar. É.. a única coisa que faz esse parecido com a Cidade Dutra é que ele não é o centro da cidade (ou centro da província, no caso aqui), fora isso não tem absolutamente nada de parecido. Bem, fomos na mesma loja onde eu comprei as outras de antes e lá aconteceu uma coisa que me lembrou de um episódio do Chavez: escolhemos o modelo e a cor dos celulares e fomos falar com a mocinha das vendas. Ela perguntou “Ok, essas são as cores que vcs querem?”, falamos “Sim”, aí ela virou para a Luzia e falou “Vc quer vermelho?, ela respondeu “Sim”, aí a mocinha disse “Não lembro se temos essa cor, vou verificar. Qual outra cor pode ser?”. Acho que ela não entendeu direito o que a moça disse e falou “Eu quero vermelho”. A moça foi, voltou, e disse “Desculpe, mas não temos vermelho. Só azul e preto. Pode ser um desses dois?”. A Luzia fez uma cara de pensativa, olhou para o celular e disse “Ah, pode ser o vermelho mesmo!”. Não aguentei, comecei a dar risada e falei meio enfático (o pessoal disse que eu falei braqvo, mas não): “Não tem vermelho!”. Coitada, a mocinha se espantou. Pedi desculpas para ela e para a Luzia (se não me engano, haha) e acabou tudo bem. Agora, qual é o episódio de Chavez que essa situação lembra???

Bem, compramos o celular, mas a mocinha disse que teríamos que voltar para lá no dia seguinte para “desassinar” uns pacotes com coisas que não queríamos que só ia deixar a conta mais cara no fim do mês. Não me perguntem por que não dava para fazer isso naquela hora mesmo, pq eu não sei, haha! Depois fomos ver uma loja de roupas, onde eu comprei um conjunto de moleton de blusa e calça que serve de pijama. Meu primeiro pijama (pijama propriamente dito) na vida, eee! Comemos num Fast Food chamaod Lotteria. Comprei o “Incrível hambúrguer de bacon e queijo”, que na verdade é uma desculpa de hambúrguer, pq só de dar uma tragada de cheiro o hamburguer já sumia de tão pequeno que era. Também comi umas rosquinhas que eram até gostosas numa lanchonete e voltamos para casa.

17 out (dom)
Atrasei o pessoal pq cheguei à 10h18min15seg ao invés das 10h18min00seg previstos no quadro do ônibus. Pegamos o ônibus seguinte, das 10:46, e fomos resolver o que faltava do celular. No caminho eu achei uma máquina incrível: era um joguinho que vc paga 100 ienes e controla um “dedo” para ele apertar botão num painel. Se ele apertar o botão direitinho, vc ganha o prêmio correspondente ao botão que vc conseguiu fazer ele apertar. No Brasil os prêmios seriam no máximo aqueles brinquedinhos tipo prenda de festa junina, tipo Pirocóptero, carrinhos de corda, piões entre outros (de repente até uma lata de atum, como de fato tinha nas festas da escola, haha!), mas aqui tem como ganhar um Playstation 3, PSP ou DS! Imagine, se vc tentar 10 vezes e conseguir em uma delas, vc gasta 1000 ienes e pega um PS3, que custa 28000!!!! Acho que dá tirar um sustento no Japão só de pegar esses prêmios e revender, hahahaha! Minha câmera estava sem bateria no dia, então não deu para tirar fotos da máquina, mas quando eu for lá de novo eu tiro! (e ganho aquela droga de PS3, mas pode ser um DS ou um PSP tb!)

19 out (ter)

Hoje eu tive a minha reunião com o meu professor orientador que vai me ajudar a desenvolver uma pesquisa aqui. Ele como pessoa é legal, mas os meus colegas brasileiros falam que ele parece o Silvio Santos, mas japonês. Além disso, eles não gostaram da aula dele, apesar de eu ter achado legalzinha até.
Bem, isso à parte, o ponto alto do dia foi na aula de conversação em que a professora estava falando de doenças e problemas de saúde. Resfriado, tosse, diarréia, mas o que pegou foi a palavra “prisão de ventre”. Ela estava falando que os asiáticos têm intestinos mais compridos do que os ocidentais, e que por isso é mais fácil eles (os asiáticos) terem prisão de ventre. Depois ela falou que esse tipo de coisa acontece muito mais com mulheres do que com homens, então ela virou para mim e disse “Aliás, disso eu não tenho muita certeza. É verdade, João?” Na hora eu pensei “Ué, por que ela tinha que perguntar isso justamente para mim?!”. Eu fiz uma cara de espanto, olhei para os lados e percebi que todos estavam olhando para mim esperando uma resposta. Aliás, na verdade não eram todos, e sim TODAS, pq naquela sala de mais ou menos 16 pessoas eu era o único homem, por isso a professora perguntou aquilo para mim... Continuei com a minha cara e disse “Ah.... eu não sei!”. Não lembro se todos riram ou não, mas é melhor não ficar tentando lembrar isso, já basta ter registrado aqui, hahaha!

Um comentário:

  1. Adorei ler sobre os seus últimos dias! Ei! O que você tem contra o Pirocóptero? E lata de atum em festa junina? Isso é coisa do seu feudo! XD Bem emocionante a sua vida aí do outro lado do mundo, muitas coisas legais e engraçadas. A história do sapato de couro é clássica - tadinho :( Continuarei te acompanhando por aqui, se cuide!
    Um beijo,
    Lari

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